por Plínio Lins
Não há informação sobre o nome da outra pessoa a ser ouvida. O delegado não confirma se essa pessoa é suspeita de envolvimento no crime. Disse apenas que ela pode ter informações importantes para esclarecer o duplo assassinato.
Cícera Rosivan, mãe de Samara, não foi ouvida antes porque ficou muito abalada e adoeceu devido à morte brutal da filha.
A vida familiar – atual e passada – das duas meninas é considerada, pela polícia, um ponto de partida para as investigações. Há pouco mais de um ano, Samara não vivia mais com a mãe: morava em Coruripe com o pai, o trabalhador rural José Raimundo Oliveira dos Santos, e com a atual mulher dele, Cosma Maria, mãe de Cícera Beatriz, a outra vítima do assassinato.
Cícera Beatriz, que era filha de Cosma Maria com seu ex-marido, José Fidélis, também morava na mesma casa em que Samara vivia com a mãe e José Raimundo.
No dia 29 de março passado, as duas meninas haviam acabado de sair de casa para a escola, quando um homem – provavelmente conhecido de ambas –, num carro claro, parou perto delas e ofereceu carona, prometendo deixá-las na escola. Elas recusaram a carona, mas o homem insistiu e as duas acabaram entrando no carro. Seus corpos só foram encontrados 23 dias depois, em 21 de abril, em uma mata perto da localidade de Lagoa do Pau. Samara e Beatriz foram mortas com tiros na cabeça. Não havia sinais de violência na cena do crime, ou seja, tudo indica que foi uma execução.
José Raimundo, pai de Samara, e José Fidélis, pai de Beatriz, são considerados testemunhas importantes e, pelo menos por enquanto, não figuram como suspeitos – não há elementos para indiciar nenhum dos dois como assassino da própria filha. José Raimundo, inclusive, estava saindo de casa em sua moto, no dia 29 de março, quando viu, de longe, as duas meninas entrando no carro claro que as levaria para a morte. E José Fidélis, pelo empenho que demonstrou para encontrar as duas durante os 23 dias em que estiveram desaparecidas, também está, a princípio, livre de suspeitas.
Isso significa que, se há um suspeito de autoria do crime – como o Tudo na Hora antecipou e o delegado não nega –, é uma terceira pessoa cuja identidade, por enquanto, a polícia prefere manter em segredo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário